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Assembleia Municipal de Lisboa aprova moção "Em defesa da Orquestra Metropolitana de Lisboa"
há 539 semanas

A moção "Em Defesa da Orquestra Metropolitana", foi apresentada pelo Bloco de Esquerda e colheu os votos positivos da esmagadora maioria dos restantes partidos. A Assembleia Municipal reconhece que é urgente encontrar formas de viabilização que não ponham em causa os direitos laborais dos e das trabalhadoras da Metropolitana.

Relembramos que esta segunda feira o CENA e a Comissão de Trabalhadores se deslocaram aos Paços do Concelho para que a voz dos e das trabalhadoras fosse ouvida. A Comissão de Trabalhadores já elaborou um projecto alternativo de viabilização da Metropolitana e espera agora que passe a ser parte integrante da solução para a continuação desta estrutura nos moldes existentes até hoje.

Aqui fica o texto integral da moção:

Em defesa da Orquestra Metropolitana de Lisboa

 

Considerando que:

A Orquestra Metropolitana de Lisboa, uma das instituições culturais da cidade e do país,

atravessa uma situação de profunda crise financeira, por causa de uma acumulação de

dividas de ordem vária que resultou, entre outros, no não pagamento dos subsídios de

Natal e de férias;

 

O desvinculo do MCTES, a constante redução de receitas próprias, a incapacidade das

direcções em angariarem mais patrocínios, os encargos para pagamento de

indemnizações a trabalhadores após despedimentos ilegais e outros gastos excessivos

agravaram a situação e ameaçam a sustentabilidade da instituição;

 

A actual direcção, face às dificuldades que a Metropolitana atravessa, optou por com

um plano de viabilização que implica um violento corte salarial de 20%, nos próximos

dois anos, prevendo-se com este plano que os trabalhadores contribuam com 1 milhão

de euros para tapar o buraco financeiro em que se encontra a Metropolitana;

 

Esta situação indicia uma má gestão cuja responsabilidade e custos não podem, de

forma alguma, agora ser imputados aos trabalhadores;

 

A METROPOLITANA é uma instituição singular e incontornável na cena artística

nacional e em Lisboa, com um projecto pedagógico de grandíssimo valor que, através

das suas 3 ESCOLAS de MÚSICA, tem desempenhado um papel fulcral de

protagonista na descoberta e formação de muitos artistas premiados em diversos

concursos internacionais;

 

Da Metropolitana saíram profissionais de extremo valor e competência, colocados na

Orquestra Metropolitana assim como em diversas orquestras e escolas mundiais.

O projecto integrado da METROPOLITANA é na sua génese um conceito único e

exemplar de optimização e partilha de meios e recursos, que jamais seria possível na

existência em separado das suas vertentes de ensino e artístico-performativas.

 

A situação das várias famílias que dependem inteiramente do seu trabalho nesta

instituição e que veêm reduzidas as suas fontes de subsistência é de todo inaceitável.

 

A defesa desta instituição única a nível internacional, que mantém uma actividade

artística e pedagógica de grande relevo, com os seus mais de 450 alunos e 160

trabalhadores tem desde sempre dignificado o panorama musical Português, em geral e

de Lisboa em particular.

 

A Assembleia Municipal de Lisboa, reunida em Sessão Ordinária no dia 28 de

Fevereiro de 2012, decide:

 

1. Apelar à CML para que envide todos os esforços ao seu alcance junto dos

seus pares fundadores para encontrar uma solução que viabilize o

funcionamento da Orquestra Metropolitana de Lisboa e que salvaguarde

todos os direitos laborais dos trabalhadores.

 

2. Enviar esta moção aos órgãos de soberania, nomeadamente ao governo e ao

parlamento, ao CENA, à Comissão de Trabalhadores e à Direcção da

Orquestra Metropolitana de Lisboa.